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Histórias de encontros e desencontros.


Quarta-feira, Junho 30, 2004
 
A SOCIEDADE DA ORQUÍDEA -- Capítulo IX

-- A vida de Manolo está em perigo, mas não ouso te contar mais nada. Se queres saber dele, vai e fala com a mãe dele. Dou-te o endereço.
-- Pois bem. Se queres assim, dá-me o endereço.

Nara sai da faculdade e toma o metrô para a estação Rio de Janeiro. É uma zona residencial, tranqüila. Em um açougue na esquina da estação, pede informações. Ao sair, percebe o sujeito que olha, com disfarçado desinteresse, a vitrina de uma butique. Dobra à direita, caminha até o fim da quadra e pára numa banca de jornais. Como esperava, o homem da vitrina a segue. Nara pondera voltar ao metrô, pensando em despistá-lo entre uma estação e outra, depois acha que seria em vão: se é por causa de Manolo que estão a segui-la, certamente já conhecem o endereço da mãe dele. Nara continua em direção ao endereço que tem, mas acontece o inesperado: ao atravessar a rua, é quase atropelada por um carro, que breca a milímetros de suas pernas. Pelas portas traseiras, descem dois gorilas de terno e gravata e antes de entender o que está acontecendo Nara está sentada entre os dois no banco traseiro do carro que arranca em disparada.




Terça-feira, Junho 29, 2004
 
A SOCIEDADE DA ORQUÍDEA -- Capítulo VIII

Movida por uma esperança infantil, Nara volta à confeitaria onde tomaram café no dia anterior. Nada de Manolo. Tira da bolsa seu caderno e, entre Quilmes e Quilmes, vai rabiscando linhas ora obscenas, cheias da raiva de uma mulher abandonada, ora ternas, da mulher que sente saudades do homem que lhe foi gentil à mesa e selvagem na cama.

Nara não abandonou um marido e atravessou dois rios para ser abandonada por um rapaz mal saído da adolescência assim. Decide agir. Fecha seu diário, paga a conta e toma um táxi para a faculdade de direito. Na cantina, vai tomando cervejas e procurando identificar quem é quem em meio a tantos estudantes. Finalmente, chegam quatro rapazes com pilhas de códigos. Nara vai à mesa deles, descreve Manuel e pergunta-lhes se sabem dele. O embaraço deles é evidente, trocam olhares como os do jogo de truco, tentando adivinhar uns o que pensam os outros, comunicar-se sem palavras. Nara reconhece estes olhares, sabe de antemão que não ouvirá deles uma palavra que seja verdade. Nota, também, uma moça que ouviu sua conversa e saiu apressada da cafeteria. Sem esperar que os jovens decidam que mentira contar-lhe, segue sua intuição e persegue a moça.

-- Espera, menina! Eu sei que tu sabes do que estou falando. Não desconversa: o que há com Manolo?
-- Não sei do que me falas. Solta-me o braço!
-- Fala, menina! Ele está com problemas? Por que tanto mistério?
-- Não posso te dizer nada. As coisas só iriam piorar. Pobre Manolo!

A estudante não resiste e brotam-lhe lágrimas e soluços. A urgência de Nara transforma-se em uma ternura quase maternal pela moça. Oferece-lhe seu lencinho de cambraia e espera que ela enxugue as lágrimas e assoe discretamente o narizinho fino, belo, altivo.

-- Eu sei que passaste a noite com ele. Pobre Manolo, não podia mesmo resistir a uma mulher como tu. Se ao menos eu tivesse tido tempo de me entregar a ele... Enfim, agora não importa. A vida de Manolo está em perigo.





Segunda-feira, Junho 28, 2004
 
A SOCIEDADE DA ORQUÍDEA -- Capítulo VII

Diz a Torá que no sétimo dia Jeová descansou. Nara não foi a Buenos Aires descansar. Dentro do seu quarto de hotel, transformou-se na esfinge que traz no âmago e devorou o jovem argentino. Perderam-se-lhe os botões da camisa, amarrotado em um canto ficou o vestido dela, fizeram amor meio vestidos: ele, de carpins postos; ela, o sutiã. A primeira foi curta, Manolo não esperava aquela fúria sobre seu corpo e não pôde conter o gozo, mas vingou-se de Nara na segunda, maltratou-a até arrancar-lhe uma sucessão de orgasmos que exauriu a ambos.

Manolo junta seus trapos e sai do quarto em silêncio: não quer correr o risco de voltar a despertar a esfinge. Sobre a penteadeira, em frente ao espelho, deixou um bilhete com juras de amor e o convite para um encontro no dia seguinte, à tarde, no zoológico de Palermo, em frente à condoreira.

Nara acorda com o corpo cansado daquele cansaço bom que experimentava nos verões da adolescência, quando nadava todas as tardes nas águas frias do açude do sítio de um tio seu. Os músculos queixam-se aos poucos: este está rijo, este está dolorido... Nara levanta-se da cama, encontra o bilhete de Manolo e, sem pensar no assunto, nua como está, põe-se a alongar a musculatura. Os exercícios levam-na a um suor ligeiro, que ela vai tirar na ducha morna. Súbito, sente uma fome voraz. Percebe que já perdeu o horário do café da manhã, então sai direto para as avenidas, à procura de uma pizzaria barata onde comer uma fatia de mozarela. Mais tarde, almoça em um bom restaurante de Puerto Madero, gastando prodigamente seus ganhos da roleta e, com uma comichão de desejo, decide ir ao encontro de Manolo no zôo.

A condoreira é uma gaiola gigantesca e magnífica que abriga apenas um casal de condores. Nara espera à sombra o amante que não chega. Depois de uma hora de atraso, decide ir embora e não deixa de notar que atrás dela um sujeito de chapéu e uns óculos escuros enormes, que esteve o tempo todo lendo jornal, levanta-se do banco onde estava sentado e passa a segui-la.





Domingo, Junho 27, 2004
 
A SOCIEDADE DA ORQUÍDEA -- Capítulo VI

O garçom é solícito, o café é fraco. Nara toma o seu com a pressa que se toma um remédio amargo, depois pede uma Quilmes na pressão. O jovem porteño se surpreende com a desenvoltura desta mulher e decide acompanhá-la na cerveja.

Nara não dá muitas explicações de como chegou a Buenos Aires, até porque seu companheiro não acreditaria, se ela lhe contasse a verdade. O assunto já passou pelo cinema surreal, desde "Um Cão Andaluz", já girou pelas relações entre os dois gigantes sul-americanos e agora vai caindo para o lado pessoal. Manuel, Manolo para os amigos, está terminando seu curso de direito. Ultimamente, vem tendo problemas, por conta de um artigo que publicou no jornal da faculdade. Coisas estranhas andam sucedendo-lhe: a impressão de que carros o seguem, certos telefonemas nas horas mais inesperadas, coisas sobre sua escrivaninha que mudam de lugar magicamente, cartas com o lacre suspeito em sua caixa postal.

Quando chega a hora do jantar em Buenos Aires, Manolo a convida para irem a um restaurante que conhece. Nara descobre a delícia de descobrir uma cidade junto com um nativo, que sabe tudo, todos aqueles recantos que um turista solitário não chega a encontrar por sua conta. É uma cantina italiana, a massa é grossa e o molho tem um cheiro forte. O vinho da casa é de boa qualidade e Nara abandona-se aos prazeres da mesa. Ao fim da noite, está na fase eufórica de um pilequinho. Manolo a acompanha até a portaria do hotel e, apenas um pouco surpreso, ouve o convite para subir ao quarto.





Sábado, Junho 26, 2004
 
A SOCIEDADE DA ORQUÍDEA -- Capítulo V

O vento no meio do rio é úmido, pegajoso. Nara não gosta de senti-lo assim, entrando-lhe pela pele, molhando-lhe os ossos, mas não imagina outro lugar onde gostaria de fazer esta travessia: de pé na proa do aliscafo, um lenço de seda nos cabelos, enrolada na gabardine comprada com os ganhos do jogo, ela vê Buenos Aires saindo da neblina e aproximando-se rapidamente.

Desembarca na "dársena", toma um táxi e segue para as proximidades do congresso argentino, onde há hotéis simples bem perto de tudo o que Nara precisa: cinemas, livrarias, metrô. O quarto é pequeno, os móveis são velhos e o banheiro é arcaico, mas Nara está feliz: é o seu espaço! Desfaz a mala pequena e não se dá ao trabalho de pôr as poucas roupas no armário que cheira a mofo: deixa-as atiradas sobre a cama e as cadeiras. Toma uma ducha para livrar-se da umidade do Prata, enxuga bem o corpo firme, veste um vestido leve e sai para as ruas da cidade.

Na papelaria, compra uma caneta de pena e um diário encadernado em couro, com folhas de bom papel, sem pauta. A liberdade de Nara tem de estar também nas páginas que vai escrever. Ou desenhar. Nara não sabe bem o que vai fazer com o caderno novo, mas sabe que não quer diretrizes nem limites.

Ao fim da tarde, entra em um cinema. Passam "O Fantasma da Liberdade", de Buñuel. Vendo o filme, Nara percebe o quanto estava certa a sua intuição: em Ubirici, estava jogando a vida fora. Quem em Ubirici havia ouvido falar deste cinema feito assim, permeado de absurdo, e ainda assim tão próximo da vida como ela é? Nara intuía que havia uma realidade além-Ubirici; agora, ela sabe. Nara sai do cinema tão ocupada com estes pensamentos que se assusta quando o jovem lhe dirige a palavra, porque não havia notado que ele se aproximava.

-- Olá, senhorita. Não pude deixar de ver o quanto se divertiu com filme. A mim também me encanta o cinema de Buñuel. Permite que a convide para um café?

Surpresa com sua própria espontaneidade, Nara aceita.





Sexta-feira, Junho 25, 2004
 
A SOCIEDADE DA ORQUÍDEA -- Capítulo IV

As coisas maravilhosas não precisam de explicação. Ninguém ficou enchendo Nara de perguntas, simplesmente a cercaram de cuidados, com uma adoração mal disfarçada; trataram-na como teriam tratado um anjo que, por uma ferida na asa, houvesse caído do céu em Mala Suerte. Em dois dias, Nara pegou uma carona num caminhão carregado de ovelhas que partia para Montevidéu e se foi, deixando para trás um povo não menos atônito do que na hora em que a viu sair nua do rio.

Em Montevidéu, Nara vai à agência do Banco do Brasil, saca as economias de uma vida de boa administração do lar, converte-as em dólares e sai para o sol de uma tarde maravilhosa, senhora de sua vida. Na avenida principal, entra em uma loja chique e compra um vestido longo, sensual, que mostra na medida seus ombros redondos e fortes de nadadora e seus seios firmes de mulher que não foi usada por marido ou filhos.

O cassino de Carrasco é o que há de fino no Uruguai. Nara entra desfilando seu vestido, atraindo os olhares de homens e mulheres que jogavam com ares aborrecidos de quem já viu tudo: as caras uns dos outros, as cartas marcadas e os números ingratos, os dados traiçoeiros do destino. Uma gente ribeirinha, melancólica, cansada até das novidades que ancoram no porto. Nara é uma brisa fresca que os Andes atiram sobre o delta do Prata: varre o sono dos olhos dos homens cansados, varre o tédio das mulheres embrulhadas em vestidos castos e sem sal.

Nara pára em uma mesa de roleta. Nasceu num dia 27. Sobre o 27, vermelho, põe suas fichas. "No va más" diz o profissional quando a bola branca da sorte e do azar começa a quicar perigosamente perto das casas da alegria e do desespero. A pequena esfera enfim acomoda-se na ranhura que a acolhe, uma mãe que recebesse de volta o filho pródigo. 27, vermelho. Nara recolhe seus ganhos e sai, indiferente aos olhares que a seguem. Nara sabe bem aonde vai, o que fará com o dinheiro multiplicado.





Quinta-feira, Junho 24, 2004
 
A SOCIEDADE DA ORQUÍDEA -- Capítulo III

Em 1775, houve uma batalha decisiva para a definição da fronteira entre nossas terras e as dos castelhanos: a gente do Ubirici, armada como podia, muitos com lanças que não passavam de meias tesouras de esquilar atadas com tentos de couro a paus de guajuvira, deu um corridão nos invasores. O Ubirici estava baixo, dava vau uns quilômetros acima do povoado. Os ubiricianos, naquele dia, estavam possuídos por todos os demônios da guerra, lutavam à sombra protetora de todos os orixás valentes: não ficaram contentes ao verem os castelhanos cruzarem o passo em fuga desabalada, mas deram perseguição e mataram todos os que alcançaram, e ainda atearam fogo ao povoado de Mala Suerte, fronteiro a Ubirici, do outro lado do rio. Daí em diante, nunca mais se atreveram os vizinhos a pisarem este lado do rio.

A gente de Mala Suerte não entende o que vê: saindo das águas barrentas do rio, uma bela mulher nua. Será que ela pensa que é Vênus, pra sair das águas deste jeito? Ela vem ofegante, os seios firmes com os bicos duros do frio do rio, a água escorrendo aos poucos dos pêlos do púbis. Nara pára um momento, torce os cabelos negros e longos e aceita o cobertor que uma velhinha lhe oferece. Para aquecer seu corpo? Para cobrir o escândalo de sua nudez? Que importa? Nara enrosca-se e recupera o fôlego.

"Fiz, meudeus! Fiz! Deixei aquele babaca na outra margem! Agora cruzei meu próprio Rubicão, agora queimei meus navios. Daqui, só pra frente!"





Quarta-feira, Junho 23, 2004
 
A SOCIEDADE DA ORQUÍDEA -- Capítulo II

-- João, eu vou te deixar.

João não entende a princípio: "Vais me deixar só à beira do rio? Tens frio? Fome?" Só aos poucos percebe que Nara vai deixá-lo mas é à beira da vida, que ele, para ela, já é um marginal, que já não corre no fluxo dos acontecimentos da vida dela. Sua perplexidade é a do dono mordido pelo cão amado.

-- Nara, o que foi que eu te fiz?
-- João, deixo-te muito mais pelas coisas que não fizeste do que por tudo o que fizeste. Tu nunca me bateste, João. Nunca me amarraste na cama, nunca me puxaste os cabelos e me chamaste de vagabunda na hora do amor. Sequer me abandonaste, meses a fio, pra sair, de licença, pelo Brasil numa motocicleta, deixando-me a esperar-te, pobre Penélope interiorana; não voltaste da viagem que não fizeste com uma doença venérea contraída nos cafundós do Ceará. João, tu não atravessaste este rio a nado, não foste campeão de tênis, não levaste o time de futebol do banco a uma vitória espetacular e inesperada. Cobriste-me de atenções e afeto e achaste que isso bastava. Ao fazê-lo, fizeste de mim uma Amélia, e não nego que fui feliz, mas agora acabou, agora me desespero a cada aurora que me anuncia mais um dia de mesmice. João, eu vou te deixar pra fazer as coisas que te acuso de não teres feito, até pra ver se, ao fazê-las, descubro quem realmente sou, e começo já!

Dito isso, Nara tira toda a roupa e, antes que João possa reagir, salta para as águas revoltas do rio Ubirici.





Terça-feira, Junho 22, 2004
 
Prólogo
Minhas Leitoras Adolescentes, meus Leitores Escassos,
Este nosso blog anda meio parado. Parece que Rodrigão cansou desta brincadeira e eu ando meio desestimulado pra continuar contando histórias de encontros e desencontros: há uma certa falta de novas aventuras e, para complicar, certas leitoras que me trazem mais problemas do que soluções...

Ainda assim, acho que temos aqui um espaço interessante. Queria, então, pedir-lhes paciência e boa vontade para um pequeno experimento a que me proponho. A história é mais ou menos assim: nós, deste blog, temos uma amiga jornalista que sempre pensa em D. Maria, uma leitora arquetípica, quando escreve suas matérias. Nossa amiga se preocupa se:
D. Maria se interessaria pelo que ela está escrevendo?
D. Maria entenderia o que ela está escrevendo?

Na minha cabeça, D. Maria é também a minha mãe, que acha que até o Verissimo escreve difícil hoje em dia. Imagino que as mães da maioria não sejam muito diferentes. Vai daí, me deu vontade de escrever algo pras D. Marias que andam por aí. Logo pensei no formato de folhetim, que é uma coisa que existia antigamente nos diários.

Confesso, então, que estou cometendo um pecado como escritor: o folhetim que publicarei abaixo e nos próximos dias não foi escrito nem pra mim, que gosto de coisas mais audaciosas na forma, nem pra vocês, que entram aqui pra ler histórias de encontros e desencontros. O que eu proponho é que vocês repassem o folhetim para as D. Marias que conhecerem: mãe, tia, avó. Só pra gente ver o que acontece.




 
A SOCIEDADE DA ORQUÍDEA -- Capítulo I

O dinossauro olhou para o céu de chumbo, soltou um último ronco ressentido e expirou. Semanas depois, o firmamento plúmbeo desabou. Choveu muito mais do que os quarenta dias e quarenta noites do dilúvio bíblico. Choveu geologicamente, o que quer dizer que choveu no tempo, que o próprio tempo, como o conhecemos, perdeu o sentido. A chuva cavou um rio no terreno, que os índios chamaram de Ubirici. Os portugueses vieram, aprenderam dos índios o nome do rio e mataram os índios, mas conservaram o nome do rio, e ainda o deram ao povoado que às suas margens fundaram.

João nasceu em Ubirici. Estudou na capital, formou-se em administração e, sem maiores perspectivas de carreira, passou num concurso do Banco do Brasil. Não foi difícil conseguir um posto em Ubirici: quem mais ia querer trabalhar naquela biboca, estando na capital?

João foi porque era um "homem da terra", apegado ao seu torrão natal. João voltou porque sentia saudade dos pássaros de Ubirici, dos cheiros de Ubirici, das águas barrentas do rio Ubirici. Acima de tudo, João chegou de volta porque nunca conseguiu deixar para trás os lábios carnudos de Nara, porque nunca esqueceu a cena: sob uma figueira, Nara morde um pêssego maduro e o devora como uma esfinge devora um homem. João casou com Nara.

Os anos que vieram foram bons: Nara, a boa esposa; João, o bom funcionário, representante dos bancários no sindicato. Até esta manhã crucial: estão os dois sentados à margem do rio Ubirici, vendo passarem estas águas que nunca são as mesmas: tão escassas nas estiagens do verão, tão calmas nas cheias do inverno, tão furiosas, arrastando bichos mortos e árvores, nas enxurradas da primavera. Nara faz sua cara de esfinge e diz a João:

-- João, eu vou te deixar.



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