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Histórias de encontros e desencontros.


Terça-feira, Agosto 24, 2004
 
Comentário
Ser ou estar?
Conforme combinamos e pouco cumprimos, comento post com post.

Thaizita (d)escreve-se uma cigana num trem . Desconfio. Digo que Thaizita está cigana, mas que não é. Não porque não faça: já dizia o Inglês, "Mas tu faz, Thaís, tu faz!", nem porque não se divirta fazendo estas molecagens de embarques e desembarques sem mais aquela. Tenho pra mim, porém, que Thaizita espera mesmo é outra oportunidade de enlouquecer de amor, de largar tudo, fazer as trouxas e seguir seu coração, só seu coração. Thaizita é incuravelmente romântica. Falta é objeto pra tanto amor. Domage.

Update
Se estou minimamente certo, então o post de Thaizita vira uma espécie de update, um recado: "Hello, crazy world! Tô cigana, et heureuse de l'étre!" Bom, se vamos postar updates, por que não?

Os invernos não são fáceis, porque falta sol, este imenso, poderoso Prozac natural. No meio de tanto cinza, acontecem coisas não menos cinza que fazem a gente pensar. Minhas Leitoras Adolescentes, meus leitores escassos, entendam-me bem: os fatos são desimportantes, mas as reflexões que eles estimulam são valiosas.

O primeiro causo foi muito breve e superficial. Não poderia ter sido diferente do que foi. Não foi encontro nem desencontro nem nada. Faraway, So Close! Ainda assim, por uma questão de mera geografia, doeu pacas, porque me fez pensar em desencontros de verdade que aconteceram há tempos, noutras latitudes. Temos visto, post after post, o quanto é difícil um encontro decente nesta vida. E isso que quase sempre estamos falando de encontros dentro do nosso mundinho, com gente da nossa cultura, que fala nossa língua. Aí, vez por outra, surge a raridade de um encontro com um alienígena, com alguém doutro chão, doutro credo. Não seria o certo, num caso destes, mandar todo o resto às favas e dedicar-se integralmente a esta possibilidade de ultra-encontro? Onde é que eu estava com a cabeça, em cada caso, que deixei outras coisas entrarem no caminho?

A segunda reflexão tem a ver com jogos. Sou um enxadrista medíocre, mas não por falta de estudo. Conheço o jogo. E jogo truco pacas, modéstia adiada. A maioria das situações desta vida pode ser resolvida usando as habilidades que estes jogos desenvolvem. Dito isso, vou vivendo e vou vendo que em alguns momentos críticos me falta completamente o sentido de timing que eu devia ter do xadrez. E, mais das vezes, simplesmente falta-me o nervo pra gritar: "Retruco, chambão!" Não estou em sintonia com o timing da noite e não percebo a necessidade de "meter o cavalo". Vai daí, acordo sozinho e com um incômodo sentimento de fracasso. A ressaca não ajuda. Em suma: este está sendo um agosto duro de roer.

Em tempo, Thaizita: gostei muito da nova metáfora: embarques e desembarques!





Sábado, Agosto 14, 2004
 
Meu trem vai cruzando por diversas cidades, parando pra embarques e desembarques e então, seguindo adiante. Um beijo. Uma noite na minha cama. Uma troca. Ele supre minha carência afetiva, eu satisfaço seu desejo sexual. Ou vice-versa? Tanto faz. Meu trem segue viagem, vai passar por outras cidades. Em algumas, desembarco. Troco confidências, ouço histórias. Posso até pensar em ficar. Mas então o trem apita, avisando a hora de partir. E eu vou. Sou cigana, meu coração é nômade.





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