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Histórias de encontros e desencontros.


Quarta-feira, Maio 11, 2005
 
SAP

Terça-feira à noite, vamos ao Sarau Elétrico, no Ocidente. É um programa B&B (Bom e Barato, os dois Bs conjugados mais raros do mundo!), o que me leva a pensar por que não vou lá com mais freqüência...

Sentamos três à mesa. O sarau demora a começar. Ficamos conversando, discutindo carências e desejos, bem dentro do espírito da Geração X e, portanto, deste blog. Para evitar a multiplicação ad infinitum dos rótulos, procuro traduzir o que conversamos para as categorias que o Rodrigo criou e que a saudosa (ora em Floripa) Dídi sabia manejar tão bem. Afinal, rendo-me: entre os três, definimos um novo estado do Gen-X: SAP, a Síndrome de Ausência de Paixão.

O Gen-X com SAP não está carente: não lhe falta um (ou mais!) cobertor de orelhas para aquecê-lo no inverno que se aproxima. Falta-lhe, isso sim, paixão.

Paixão:
__________Esquecer os amigos, a mãe e o mundo.
__________Querer estar sempre junto, sempre dentro.
__________Caminhar de mãos dadas, descobrindo
______________um novo azul no céu de Porto Alegre,
______________uma nova poesia nas folhas mortas.
__________Experimentar nas vísceras a relatividade do tempo.
__________Viver, ser uma ponte entre o eu e o ela.
__________Enlouquecer, em suma.

Na SAP, o paciente padece de um excesso de sanidade, há razão de sobra para ver e pensar o mundo, e o mundo machuca: há crianças demais nos sinais, quando uma já seria um absurdo! O médico:
"Ponha a língua pra fora, diga 'Aaaah';
Respire fundo, diga 'trinta e três';
Bem, eu prescrevo um bom porre a cada três dias e uma dieta rica em chocolate...
E nem pense em ler jornal: pode ser fatal!"


Capa de O Globo de sábado.

Ou o cara pega uma bicicleta e pedala trezentos quilômetros entre o nada e lugar nenhum, ou estuda a mudança do clima, ou...

Historinha provocativa
Eram quatro Minas paradas na esquina. Elas já saíam da festa, mas havia uma fila pra entrar. Das quatro Minas, uma tinha um gatinho a trovar; as outras, todas a escutar. Hora de ir, o cara pede e ganha um cartão; ela justifica: "Isso não é paquera, é trabalho: networking!" Segue-se um tititi, segue-se a gozação: "Achei que isso era só com o pessoal do cabo: Net working!", que evolui: "Então o bom é um cara que vai te puxar um gato do cabo: cat Net working!" Rimos e partimos.



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