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Histórias de encontros e desencontros. Quarta-feira, Novembro 23, 2005 O alfabeto segundo Ménage à Trois (e assim falou Zaratrusta?)
Briga? Beijo? Duas palavras (ou seriam idéias?) antagônicas. B é de briga. E B também é de beijo. Então é briga ou é beijo? Ser ou não ser? Será? Será que não é possível pensar em duas coisas exatamente ao mesmo tempo? Será que há sempre um intervalo entre uma coisa e outra, mesmo que seja apenas um milésimo de segundo ou menos, uma letra ou menos? Seria ótimo escrever sobre beijos, ou entre beijos. "Teu beijo me fez escravo", ele disse. O beijo era de outra, porque o dela nunca foi capaz de fazer alguém abdicar de qualquer liberdade. Seria ótimo escrever sobre beijos. E entre um beijo e outro. Mas já faz algum tempo que ela não beija. Antes, beijava todo mundo. Coisa moderna. Beija homem, beija mulher, beija conhecido, beija amigo, beija o primeiro que aparece. Será que beijo se esgota? Hoje, não tem vontade de beijar ninguém. Hoje, nem pensa em beijo. Seria ótimo escrever sobre beijo, mas a briga chegou antes, um segundo ou menos, uma letra ou menos. B é de briga. Até porque tem muito beijo que acaba em briga. Como quando ele viu a marca do beijo de outro no pescoço dela. Briga, definitivamente briga! Mas também tem briga que acaba em beijo, não é mesmo? Nunca aconteceu com ela, mas em novela acontece. E se em novela é assim, por que não fazer o mesmo em um texto? Começar com briga. Terminar com beijo. A contribuição tardia do Cabiludo Broxar O prazer de um beijo e a mágoa de uma briga são pinto perto da angústia de uma broxada. Pelo menos antes de e durante a primeira vez. Antes, a gente sabe que um dia vai passar por isso, ninguém é de ferro, ¿homem que diz dou, não dá, porque ninguém dá quando quer¿, Ossanha é mesmo foda, und so weiter, mas não sabe quais serão as circunstâncias fatídicas, muito menos quem será a coadjuvante do triste espetáculo, então há uma certa angústia no ar, que, naqueles dias felizes, não é páreo para o tesão. Na hora e na vez da primeira vez, bom, aí Babel já caiu, babaus, é juntar os pedaços do ego, quem sabe a cueca do chão, virar pro lado e dormir, ou fazer de conta. Daí pra frente, é cuidar para que as circunstâncias adversas, sejam elas quais forem, não se repitam. Com o passar dos anos e o consumo de álcool, porém, broxar vai se tornando coisa light, dos males o menor. Quem não chegou lá, agradeça ao seu orixá e emende sua vida para não chegar. Segunda-feira, Novembro 14, 2005 O alfabeto segundo Ménage à Trois (e assim falou Zaratrusta?)
A. A primeira letra do alfabeto. Aqui nos deparamos, também, com a primeira das muitas obviedades que ainda surgirão: quando pensa em A ela pensa... É óbvio, hein! Quando pensa em A ela pensa em... Amor. Ahhhh, o amor! (suspiros) Quem foi que disse que o amor está em todos os lugares? Ela quer ser amada e ninguém a ama. Ela quer amar e não ama ninguém. Será que ela não ama porque não é amada? Ou será que ninguém a ama porque ela não ama ninguém? Ou o amor simplesmente acontece (ou não), simplesmente é (ou não), sem qualquer relação de causa e conseqüência? Abre o armário, procura embaixo da cama, vai até a esquina. Onde está o amor? Acende uma vela pra Santo Antônio, deixa uma oferenda na encruzilhada, faz simpatia em noite de lua cheia. Onde está o amor, porra? Então no jornal tem fotos do matrimônio da filha daquele empresário. No jornal, um casal comunica o nascimento de seu primeiro filho. E no jornal também tem a história do rapaz que se suicidou porque a namorada terminou com ele e da mulher que matou a amante do marido e do marido que matou a mulher pra ficar com a amante e da amante que matou o homem que terminou com ela. Ai, Nelson Rodrigues! Por amor, mas por amor mesmo? Tem certeza que é amor? Então o amor não é mito. O amor existe. O amor está ali, casando, tendo filhos, matando, morrendo. O amor existe. Mas onde está o amor? Onde? Onde? Seqüestraram seu amor e ela não tem sentimento pra pagar resgate. A contribuição tardia do Cabiludo Abre-alas Abre-alas: aqui vem o Ménage contar alfabeticamente o que viu e o que pensa da vida. Abre alas que eu quero passar, mas não quero chegar -- afinal, a gente sabe que a vida é uma estrada que acaba num perau. Abre alas que aí vou eu, cheio de esperança. Levo alguma bagagem, mas, pra que mentir?, na hora H ela não me serve de nada! Abram alas pro meu desejo, que ele quer vocês todas, a despeito do que pode acontecer conforme a letra B. Meu desejo é darwinista, fã do Capítulo 9 do Dawkins, e, quem sabe, um pouco machista. Abre-alas: eu vou fazer a minha história e se no final, olhando pra trás, ela ficar uma montagem mal feita do 81/2 com La Dolce vita, so be it. |
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