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Histórias de encontros e desencontros.


Quinta-feira, Janeiro 19, 2006
 
Desafogo
O grito do Ipiranga. "The Short Happy Life of Francis Macomber", do Hemingway.

Ou não.

Ou o contrário: o menino de 11 anos, o mais novinho em sua turma, que, num assomo da loucura que demonstrará mais tarde nas paixões da adolescência, diz para a colega que para ele ela tem mais magia do que todos os filmes do Harry Potter juntos. O desafogo de confessar uma paixão que já não é suportável incubada, que crescia como um câncer, ocupando o espaço de outras coisas saudáveis (e não como uma figueira, que cresce para tornar-se mais misteriosa e forte), compensa fartamente a trabalhosa digestão de todo o desdém que ela lhe professa: finalmente, o autorama volta a ter graça!




Quarta-feira, Janeiro 11, 2006
 
O alfabeto segundo Ménage à Trois (e assim falou Zaratrusta?)



Ela nunca acreditou em destino, mas pra certas coisas da vida não há outra explicação: só pode ser o destino. Recém formada em publicidade, abre o jornal pra procurar emprego e está ali: Redator, pra agência premiada, com clientes de grande porte. E ela se encaixava perfeitamente no perfil de profissional que estavam buscando. Eles estavam procurando por ela! No mesmo dia, recebeu um telefonema. O colega por quem foi apaixonada durante os quatro anos de faculdade havia terminado o noivado naquele dia, há menos de um mês do casamento, estava ligando pra combinar uma saída, tomar uma cerveja na Cidade Baixa, passear no parque da Redenção. E aquele era justamente o dia do seu aniversário. 22 anos. 15 de outubro de 2005. Jogou na Megasena: 22, 15, 10, 20, 05 e 09, que é a soma dos dois números que formam o número que resulta da soma de todos os números. Meio complicado, mas o destino não pode ser tão óbvio, porque senão perde a graça. Na semana seguinte, telefonou pra agência e descobriu que eles já haviam selecionado uma pessoa pra vaga de redatora, mas que seu currículo ficaria no cadastro e assim que surgisse uma oportunidade, blá blá blá. Saiu com o ex-colega-ex-noivo-de-outra-e-seu-futuro-namorado-em-potencial. Ele falou como era ótimo estar novamente solteiro, que não queria saber de qualquer compromisso tão cedo, que ainda gostava muito da noiva, mas era melhor assim, porque aquela desgraçada estava saindo com o melhor amigo dele, aquele filho-da-puta-sem-vergonha, e ele tinha descoberto tudo. Ia desabafando, e bebendo, e dando em cima de todas as mulheres do bar. Ele tomou um porre e nem percebeu quando ela foi embora. Chegou em casa, pegou o jornal e então lembrou de conferir o bilhete da Megasena. Não acertou nenhum número. Tudo bem, ela nunca acreditou mesmo em destino. É só que às vezes até parece... até parece...





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