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Histórias de encontros e desencontros.


Quarta-feira, Fevereiro 08, 2006
 
Encontro
Algumas coisas começam da forma mais banal: um encontro na rua, a velha saudação "Há quanto tempo?", e então a avalanche:
-- Bah! cheguei a semana passada, tô de volta no Terceiro Mundo, voltei uma porca de gorda... Mas fodendo eu emagreço!

Fodendo eu emagreço. Fodendo eu emagreço. Uma noite fria num lugar escuro, muito etanol na corrente sangüínea e estas palavras num torvelinho cerebral. Aparece uma chance, a aproximação ocorre, contatos imediatos do primeiro grau são feitos com sucesso, porém a embriaguez mútua impede um avanço nestes contatos.

Começou assim. Concluí que já havia embromado demais; "na próxima, ela vai emagrecer", pensei. A próxima se deu num lugar bem menos escuro, tanto do ponto de vista meramente da iluminação quanto do social: um bar. Ao lado de um aquário. Nenhum de nós precisou ser mestre nas artes da sedução -- estávamos dispostos. Predispostos. Apanhei uma garrafa de vodca e rumamos para o apartamento deserto. Muita conversa, mais vodca, um pouco de embromação e a cama. As roupas dela não resistiram mais do que poucos minutos. Calor, muito calor! Voaram as minhas também. Fogo! Pergunta:
-- Tens camisinha?
No carro! Eu havia deixado no carro! Enfiei as calças e desci descalço. O frio das tijoletas desaparecia sob o incêndio dos meus pés. Em tempo recorde, voltei para o quarto com os preservativos e a garrafa de vodca. Mais um breve mergulho nela, aquele rio de feromônios narinas adentro e a impossibilidade de manter apartadas por mais tempo a fome e a vontade de comer, ou ser comida. Fodemos pacas!





Terça-feira, Fevereiro 07, 2006
 
O alfabeto segundo Ménage à Trois (e assim falou Zaratrusta?)



Já está cientificamente comprovado. Se não está, é porque não precisa nem pesquisar. Afinal, essa é uma das poucas certezas que se pode ter na vida: em algum momento do relacionamento surgirá o famigerado estresse. E pode ser depois de 3 dias, ou depois de 3 meses, ou depois de 3 anos. E pode ser por qualquer motivo: porque o ciúme dele é doentio, porque ela adora me desafiar na frente dos outros, porque ele combinou às oito e meia e só chegou às nove, porque ela está sempre reclamando de tudo que ele faz, porque tinha uma mancha de batom na camisa dele, porque o ex-namorado não pára de ligar pra ela. Puro estresse. Ele não consegue se concentrar no trabalho, ela chora no meio da aula de inglês. Então, um dia, o casal perfeito se separa e os amigos, surpresos, querem saber o porquê.
- Ah, é que ele sempre deixava a tampa da patente levantada! - ela diz.
- Uma chata! Tudo tinha que ser do jeito dela. Eu tinha que raspar a margarina, eu tinha que apertar a pasta de dentes na parte de baixo, e não no meio. Uma chata... - ele diz.
- Só por isso? - perguntam os amigos, incrédulos.
- Sim. - eles respondem.
Foi estresse.





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