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Histórias de encontros e desencontros. Domingo, Dezembro 16, 2007
NUNCA. NINGUÉM. É assim. A vida, às vezes, parece um eterno buscar e não encontrar ou buscar e se desencontrar. Então vem aquela dúvida: será que um dia alguém irá me amar? será que algum dia terei um marido, filhos, uma casa, um lar? Homens vêm e vão, o tempo passa e as opções ficam mais restritas. Talvez você já tenha a casa, e até por isso você passe muito mais tempo em casa, e até por isso você não conhece tantos homens, e até por isso os homens que você conhece são muito complicados. E menos homens vêm, mas continuam indo, e você agora tem mais rugas e mais cabelos brancos e já não tem mais idade para ter filhos. Você se convence que uma mulher sozinha vive muito bem nos tempos de hoje, que é até melhor ser solteira e não ter que dar justificativas a ninguém do que quer que você faça, e não ter que discutir a relação, agüentar crises de ciúmes. E a vida não é ruim, porque as pessoas podem sempre ser feliz com as coisas que tem, com o que quer que tenham conquistado. A vida não é ruim, porque não é ruim ser sozinho. Mas lá no fundo, bem no fundo, reprimida, há uma certa frustração: a dúvida nunca respondida e aquele ponto enorme de interrogação. POR QUÊ? Será que ninguém nunca me amou? Por quê? Eu não sou interessante o suficiente? Ou sou excessivamente interessante? POR QUÊ? Será que passei a vida me desencontrando de quem eu deveria ter encontrado, com quem teria filhos, uma casa, um lar? E será que ele anda por aí, sozinho, também se perguntando, no íntimo, se ninguém nunca o amou ou se ele viveu sempre se desencontrando da mulher com quem teria filhos, uma casa, um lar? O tempo passa. A vida não é ruim. Mas instintivamente o olhar está sempre buscando. É no olhar, somente nele, que ainda resta uma esperança. E não importa que você já tenha noventa anos e esteja sentada em no banco da entrada do asilo. Nada importa. Até porque você sabe que o tempo já passou. E nunca houve nada. Nunca, ninguém. |
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